Ilegitimidade passiva: O que é, como alegar e modelo de contestação

Descubra o que é ilegitimidade passiva, como alegá-la no CPC e confira um modelo de contestação para sua defesa jurídica

18 de fevereiro de 2025 por Tiago Fachini e atualizado em: 20 de março de 2025

A ilegitimidade passiva é uma das principais questões processuais levantadas em ações judiciais. Trata-se da situação em que uma pessoa ou empresa é acionada judicialmente sem ter relação direta com a relação jurídica discutida no processo.

Neste artigo, você entenderá o conceito, a fundamentação legal, quando e como solicitar, além de conferir um modelo de contestação para aplicação prática.

O que é ilegitimidade passiva?

A ilegitimidade passiva ocorre quando o réu demandado em um processo não possui vínculo jurídico com a questão discutida. Em outras palavras, a pessoa ou empresa acionada judicialmente não deveria estar no polo passivo da demanda.

Diferença entre legitimidade ativa e passiva

  • Legitimidade ativa: é a capacidade da parte autora de propor ação judicial.
  • Legitimidade passiva: é a capacidade do polo passivo (réu) de responder ao pedido formulado na ação.

O Código de Processo Civil (CPC) trata da ilegitimidade passiva no artigo 485, inciso VI, que prevê a extinção do processo sem resolução de mérito quando houver ilegitimidade de parte.

Já o artigo 337, inciso XI, estabelece que a preliminar de ilegitimidade passiva deve ser alegada na contestação.

Além disso, o CPC a classifica como uma matéria de ordem pública, o que significa que o juiz pode reconhecê-la de ofício, sem necessidade de manifestação das partes.

O artigo 339 do CPC e a obrigação do réu

O artigo 339 do CPC complementa a ilegitimidade passiva ao estabelecer que o réu, ao alegá-la, deve indicar quem seria a parte correta para ocupar o polo passivo da ação. Caso o réu tenha conhecimento e não forneça essa informação, ele pode ser responsabilizado pelas despesas processuais e até mesmo por eventuais prejuízos causados ao autor.

Principais pontos do artigo 339 do CPC:

  • O réu deve indicar o verdadeiro sujeito passivo da relação jurídica caso tenha conhecimento;
  • Se não fizer essa indicação, pode ser condenado a arcar com custos processuais;
  • O autor tem 15 dias para alterar a petição inicial e corrigir a indicação feita pelo réu.

Esse dispositivo é essencial para garantir a celeridade processual e evitar processos desnecessários contra pessoas ou empresas que não possuem responsabilidade na demanda.

Como alegar a ilegitimidade passiva?

1. Na fase preliminar da contestação

O momento adequado para realizar a contestação é na fase preliminar. Isso evita a continuação desnecessária de um processo que não deveria incluir o réu.

2. Indicação do sujeito correto

O réu deve indicar quem realmente possui legitimidade passiva, se tiver essa informação. Caso contrário, apenas deve demonstrar sua desconexão com o objeto da demanda.

3. Recurso para impugnação tardia

Se a ilegitimidade não for alegada na contestação, ela pode ser suscitada em qualquer fase do processo, uma vez que é matéria de ordem pública.

Consequências

Caso seja reconhecida pelo juiz, as seguintes consequências podem ocorrer:

  • Extinção do processo em relação ao réu errado;
  • Correção do polo passivo com a substituição do réu correto;
  • Custas e honorários podem ser aplicados ao autor caso ele insista em manter o réu ilegítimo na demanda.

Modelo de contestação por ilegitimidade passiva

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ___ VARA CÍVEL DA COMARCA DE ___

Processo nº: ___ Autor: ___ Réu: ___

[Nome do Réu], por seu advogado abaixo assinado, nos autos da ação movida por [Nome do Autor], vem respeitosamente, com fundamento no artigo 337, inciso XI, do CPC, apresentar a seguinte:

CONTESTAÇÃO

nos seguintes termos:

1. PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA

O réu foi indevidamente incluído no polo passivo desta demanda, visto que não possui qualquer relação jurídica com a situação em questão. O artigo 485, inciso VI, do CPC prevê a extinção do feito sem resolução de mérito nos casos de ilegitimidade de parte.

Dessa forma, requer-se a extinção do processo em relação ao contestante, com a condenação do autor ao pagamento das custas e honorários advocatícios.

2. PEDIDOS

Diante do exposto, requer:

a) O reconhecimento da ilegitimidade passiva do contestante e sua exclusão do polo passivo;

b) A extinção do feito sem resolução de mérito, nos termos do artigo 485, inciso VI, do CPC;

c) A condenação do autor ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios.

Nestes termos, pede deferimento.

[Local], [Data]

[Nome do Advogado]
OAB nº

Perguntas frequentes

O que é ilegitimidade passiva no CPC?

A ilegitimidade passiva é a ausência de vínculo jurídico entre o réu e a demanda, levando à sua exclusão do processo.

Como alegar ilegitimidade passiva?

Ela deve ser alegada na fase preliminar da contestação, com fundamento no artigo 337, XI, do CPC.

A ilegitimidade passiva pode ser alegada em qualquer momento?

Sim, por se tratar de matéria de ordem pública, pode ser reconhecida pelo juiz em qualquer fase processual.

Conclusão

A ilegitimidade passiva é uma questão processual essencial para garantir que apenas as partes corretas sejam demandadas judicialmente. Alegá-la corretamente evita gastos desnecessários e protege indivíduos ou empresas de processos indevidos.

Por isso é importante certifique-se de avaliar a legitimidade passiva logo no início do processo. Caso tenha sido incluído indevidamente em uma ação, utilize o modelo de contestação acima para defender seus direitos.

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Tiago Fachini - Especialista em marketing jurídico

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